Hiperconectado - com Ricardo Anderáos

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10.08.2011

Tomadas sem escalas

Thomas Stuker é um consultor de vendas que acaba de materializar, na vida real, a façanha do personagem vivido por George Clooney no filme “Amor Sem Escalas” (“Up in the Air” no original inglês). Ao descer de um vôo entre Los Angeles e Chicago, sua cidade natal, ele completou no último dia 11 de julho a incrível marca de 10 milhões de milhas em uma mesma companhia aérea. E como aconteceu no filme, Stuker também ganhou tratamento VIP: nunca mais terá de enfrentar filas para embarcar, tem upgrade garantido para a primeira classe enquanto viver e de quebra teve um avião batizado com seu nome, como mostra a foto acima.

No filme, o personagem de Clooney passava mais de 300 dias por ano viajando a trabalho _sua função era demitir funcionários de empresas em processo de redução de pessoal. Na vida real, Mr. Stuker teve de tomar em 5.962 voos da United Airlines ao longo de 29 anos para completar a façanha, percorrendo uma distância equivalente a 400 voltas a redor do planeta.

Numa das melhores seqüências de “Amor Sem Escalas”, Clooney dá à trainee interpretada por Anna Kendrick impagáveis dicas sobre como viajar com máxima eficiência. “Fique atrás dos orientais nas filas do raio-X. Eles usam mocassins e não precisam amarar os sapatos depois da revista, é mais rápido seguir um deles”, diz Clooney para a mocinha revoltada com suas dicas politicamente incorretas.

Lembro de rir muito ao perceber que já havia adotado várias manias de Clooney há anos, particularmente na arrumação das malas. Mas revisando minhas próprias rotinas de viajante, percebi que o ator não falou nada sobre fios, tomadas e carregadores de traquitanas eletrônicas. Isso porque, ao contrário de Thomas Stuker, que combinou viagens pelos EUA com vôos à Europa, o personagem de Clooney só se deslocava dentro dos EUA e era meio desconectado _cabe à trainee inserir o componente tecnológico na rotina do trabalho dos dois.

Viajando com laptop, celular, câmera digital, tocador de MP3 e GPS, kit básico de um jornalista especializado em tecnologia, já passei algumas dificuldades nos últimos anos por conta dos diferentes plugues de eletricidade usados internacionalmente. A adoção de um novo padrão de adaptadores elétricos no Brasil, que se tornou 100% obrigatório desde o mês passado, só vem piorando essa situação. Se não bastassem as tomadas diferentes nos países para os quais viajamos, agora carregamos equipamentos com plugues no padrão brasileiro antigo e atual, um verdadeiro inferno eletrônico.

A façanha de Mr. Stuker recomenda uma visita à locadora de vídeo para alugar “Amor Sem Escalas”. Caso você ainda não tenha visto o filme, saiba que ele não é exatamente uma comédia romântica, como o péssimo título em português dá a entender, mas uma versão moderna do clássico mito de Sísifo, aquele no qual um trabalhador incansável rola uma pedra montanha acima, apenas para os deuses jogarem ela para baixo de novo, em um ciclo sem final ou sentido. Já para quem tem viagem ao exterior programada, uma visita à loja de material elétrico mais próxima para fazer um estoque de benjamins e extensões não é apenas recomendável, mas 100% obrigatória. E cuidado com os chamados plugues “universais”: tenho um desses com mais de uma dúzia de combinações de machos e fêmeas, comprado na França há alguns anos, que acaba de ficar sucateado graças ao novo padrão brasileiro. Não se envergonhe de levar todos os adaptadores de seus eletrônicos à loja para testar se todas as combinações que você necessita serão atendidas.

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