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11.06.2010

Para entender a importância da Copa para o povo da África do Sul

Uma das coisas que mais me intrigaram aqui na África do Sul foi a profunda ligação emocional da população com esta Copa e com a sua seleção. Como brasileiro, achava que meu povo era o mais fanático por futebol no planeta, mas aqui percebi que a coisa não é assim. Como jornalista, cobri o mundial da Alemanha em 2006, e vivenciei a loucura dos torcedores de vários países. Mas o que acontece por aqui é muito mais profundo e comovente. Não podemos entender o significado da cerimônia oficial de abertura e do jogo de hoje para os sul-africanos sem lembrar que o futebol foi uma das maiores armas na sua luta contra o regime de segregação racial.

Tudo começou em dezembro de 1964 na ilha Robben, espécie de Alcatraz sul-africano, a 10 Km da Cidade do Cabo, em pleno oceano Atlântico, onde Nelson Mandela e os outros líderes da resistência contra o apartheid foram presos no início dos anos 60. Proibidos de ter qualquer atividade física, os presos começaram a solicitar autorização para jogar futebol no pátio. Por três anos, a autorização foi negada. Finalmente, em 1967, foram liberados apenas 30 minutos de jogos semanais, aos sábados. Os prisioneiros desenharam dois campos no chão batido e, indo além de organizar um mero exercício físico, criaram uma instituição que se tornaria o maior símbolo de sua luta contra a discriminação racial: a Makana Football Association. Essa história é contada com detalhes no livro “More than Just a Game”, do historiador Chuck Korr, e no filme homônimo dirigido por Junaid Ahmed em 2007 (veja o trailer abaixo).


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Dividida em 24 times de prisioneiros, a Makana era organizada estritamente segundo os regulamentos da FIFA, conhecidos como Laws of the Game, um dos únicos livros á disposição dos presos na biblioteca da prisão. A associação dos presos tinha um estatuto que, à época, era um verdadeiro desafio ao governo racista, ao defender expressamente “a igualdade baseada nos ideais da justiça e da democracia”. A Makana  Association funcionou como uma escola para os futuros líderes do país. Entre os jogadores inscritos havia vários nomes que, após a queda do apartheid, se transformariam em políticos, juízes e empresários. O atual presidente do país Jacob Zuma, por exemplo, atuava como beque em uma das equipes. Mandela e outros líderes de “alta periculosidade”, entretanto, eram proibidos de jogar.

Foto de Nelson Mandela na prisão da ilha Robben, em 1966, quando foi criada a Makana Association

Em 1964, a FIFA já havia se tornado uma das primeiras organizações a condenar o regime sul-africano, suspendendo o país de todas as competições internacionais até que o apartheid fosse eliminado. Com a crescente popularidade da Makana  Association, que rapidamente extrapolou os limites da ilha Robben, o regime acabou proibindo os jogos em 1973. Mas a essa altura o futebol já havia ganhado um profundo significado simbólico junto à população negra.  Não por acaso, um dos maiores levantes de jovens negros contra o governo aconteceu no estádio Orlando, em Soweto, em 1976. Não por acaso também, em 1994, horas antes de sua posse como presidente do país, Nelson Mandela compareceu a um jogo da seleção sul-africana contra a Zâmbia no estádio Ellis Park, em Joanesburgo.

Desde 1991, com o enfraquecimento do regime racista e a criação de um time multirracial, a seleção da África do Sul, chamada pelos locais de Bafana Bafana, já havia sido readmitida na FIFA. No dia 7 de julho de 1992, depois de quase 20 anos banida, ela jogou sua primeira partida contra Camarões, vencendo por um a zero. As imagens de jogadores negros e brancos comemorando a vitória com fortes abraços, impensáveis até então, selaram definitivamente o papel da Bafana Bafana como maior símbolo da nova África do Sul.

A conquista do direito de sediar a 19ª edição da Copa do Mundo da FIFA, anunciada em 2004, foi vivenciada pela população sul-africana como a oportunidade para virar definitivamente a triste página da segregação racial na sua história. Ao mesmo tempo, o evento pretende lançar as bases de um novo status não apenas do país, mas de todo o continente africano, no cenário internacional. Esse é o background que explica a emoção e a eletricidade que a gente sente por aqui.

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Tweets that mention Para entender a importância da Copa para o povo da África do Sul « Hiperconectado -- Topsy.com escreveu:

[...] This post was mentioned on Twitter by Danilo, Ana Oliveira and Xong Lee, Alexandre Urch. Alexandre Urch said: RT @letsvamos: Puts, que história bacana do futebol na Africa RT @suzannevaladon: Simplesmente emocionante: http://bit.ly/cPwxIG [...]

11.06.2010 - 13h:19

Paul escreveu:

More than jus a game vale MUITO a pena

Vi o filme e vale demais a pena assistir. É um filme altamente educativo e emocionante. Acho até que esse post faz muito mais sentido para quem viu o filme.

Os relatos de que os Sul Africanos estão, senão unidos, mais tolerantes uns com os outros é a melhor notícia da Copa!

11.06.2010 - 14h:43

Tânia de Almeida Gonçalves escreveu:

Surpresa

Fiquei surpresa com essa história pois tudo que é relacioado a África do Sul e ao regime imbecil que era implantado naquele país o Aparthaide(espero ter escrito corretamente), me deixam perplexa pois a injustiça ao meu ver, e que a África é dos afro descendentes e não dos brancos...hoje espero que ao final desta Copa algo se estabeleça no país...o sentimento de igualdade...e Viva a África....

12.06.2010 - 02h:35

Nazareth dos Santos escreveu:

libera melhor a imagemmmmmmm

diretores da Band ,nao aguentamos mais Globo e garvao bueno.rsrsrsrs a imagen esta ruim e o som tbem...pelo amor de Deus copa na grobo E fffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffffF BJA ABRS

12.06.2010 - 15h:59

Gisela escreveu:

sensacional!

Sensacional
De fato a gente não tem ideia da dimensão que o futebol tem pra eles!

13.06.2010 - 19h:54

Silvio escreveu:

Copa

Ta díficil de assitir aos jogos da copa! Na globo o chato do Galvão Bueno, na Band o retardado do Neto! Se não bastasse, ainda temos a vuvulzelas.
Viva a Africa, porém não acreditem em união entre brancos e negros, porque tem muito caminho a percorrer, ainda continua como no Brasil, o Brancos com uma condição financeira melhor e os Negros na misséria.
Morei 4 anos não Africa do Sul. O preconceito é terrivel, muitos negros não tem corragem de entrar em locais destinados a branco. o Brancos não frequentam locais destinados aos negros.
Mesmo nao Universidades é facil encontrar panelinhas cada qual com sua cor de pele.
A Africa é dos Africanos! e a América não é dos Indios?
Na Africa os Brancos Rascistas, pelo ao menos deixaram os Negros Vivos. Cadê os Indios?

14.06.2010 - 16h:45

RomagnaAlves Rodrigues escreveu:

humanidade

A história da África do Sul é realmente muito emocionante pois a Africa tambem tem suas belezas culturas e esse regime implantado pelo apartheid no meu ponto de vista não era coveniente pois os Africanos não precizavam passar por tamanho constrangimento ,por que ter mas conciência sobre a Africa do Sul...

14.06.2010 - 18h:52

ariane escreveu:

como assistir?

como podemos assistir os jogos do brasil se a globo esta horrivel as condições são pessimas vamos melhorar ne pô e brasil .

22.06.2010 - 18h:52

larissa escreveu:

sobre o filme

mostra como tudo e como aconteceu

19.08.2010 - 10h:01

fael escreveu:

apartheid

faça mais pesquisas sobre o apartheid

31.07.2010 - 15h:55

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