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17.06.2010

Muito além da barulheira: histórias e melodias da vuvuzela

Corneta de chifre de Kudu usada pelos judeus iemenitas

Engana-se quem pensa que a vuvuzela é uma cornetinha de plástico sem pedigree. Sua origem remonta às tribos ancestrais que utilizavam cornetas feitas de chifres de Kudus, espécie de antílope cujo habitat se estendia originalmente das savanas africanas ao sul da península arábica. Os judeus iemenitas, por exemplo, já assopravam chifres de Kudus no Rosh Hashnah há séculos. Também é um erro supor que ela só serve para fazer barulho: veja abaixo um vídeo da afinada Vuvuzela Orchestra.


A história contemporânea da vuvuzela começa por volta de 1970, quando a torcida do Kaizer Chiefs, um dos times de futebol mais populares do gueto de Soweto, começou a levar para os estádios cornetas de alumínio adaptadas a partir de buzinas de bicicleta. O objetivo era infernizar jogadores e torcedores dos eternos rivais no bairro, os Orlando Pirates.

Um Kudu macho adulto

O inventor da vuvuzela de alumínio foi um dos líderes da torcida dos Chiefs, Freddie “Saddam” Maake, que chegou a levar um exemplar para a Copa da França, em 1998. Segundo Maake, foi somente ao ser barrado na entrada de um estádio, pelo perigo potencial representado pelo longo canudo de metal, que ele teve a idéia de fazer um modelo em plástico. Em 2001 a empresa sul-africana Masincedane Sport lançou os primeiros modelos desse tipo. Essas vuvuzelas plásticas “com griffe” trazem até um aviso sobre os danos à saúde quando o instrumento é usado muito próximo do ouvida das “vítimas”

Detalhe de vuvuzela com aviso de segurança: ruído chega a 130 decibéis

A origem do nome do instrumento gera controvérsia. Há quem defenda que a palavra vem da lingua Zulu, uma onomatopéia que significaria “fazendo barulho vuvu”. Outra hipótese é de que o nome seja derivado de uma gíria dos guetos sul-africanos para a palavra “chuveiro”, remetendo à forma do instrumento.

Depois de sua primeira grande aparição para o mundo, durante a Copa das Confederações, disputada na África do Sul em 2009, jogadores e jornalistas começaram a pressionar pela sua proibição, alegando que ela atrapalhava a comunicação entre os atletas e o trabalho das emissoras de rádio e TV. Mas a pressão da Federação Sul-Africana de Futebol fez a FIFA liberar seu uso nesta Copa. Para encerrar a polêmica, o presidente da FIFA, Sepp Blatter, fez a seguinte declaração: “Eu tenho repetido que a África tem um ritmo diferente, um som diferente. Eu não posso banir a tradição musical de torcedores em seu próprio país. Quem gostaria de ter seus costumes proibidos em seu próprio país?”

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Tore escreveu:

Tem filtro de audio para bloquear as Vuvuzelas!!!!

Filtro disponivel para download neste site http://decibel.ni.com/content/blogs/Simon/2010/06/16/world-cup-2010--filtering-the-annoying-vuvuzela-noise

Instalem pelo amor dos nossos ouvidos

17.06.2010 - 17h:52

vinicius escreveu:

preservem a vuvuzela

Dentre muitas peculiaridades, esta copa do mundo mostra ao público um elemento típico da cultura africana, a vuvuzela. Temos conhecimento da importância deste instrumento durante as comemorações, devido sua tradição, mas não podemos deixar de registrar a tremenda insatisfação de nós telespectadores com a infernal sinfonia provocada pelas cornetas durante as transmissões pela tv. O descontentamento é unânime e a vontade de assitir as partidas com a função mute dos televisores ligada é uma tônica. Nada como ouvir a torcida aplaudindo, gritando olé, vaiando ou até mesmo se calar em massa! Será que ninguém tem a impressão de que é pura sonoplastia?!?! Tomemos como exemplo apenas duas partidas Zova Zelândia contra Eslováquia e África do Sul contra Uruguai. Na primeira, vimos a bola ser mal tratada do início ao fim - com as demais seleções não foi muito diferente! Na segunda, a anfitriã sofreu durante os noventa minutos e sucumbiu. Ou seja, duas situações em que faltavam motivos para comemoração, no entanto lá estavam elas a todo vapor!! As cornetadas não davam trégua, sequer diminuiam de intensidade - ao menos era essa a sensação passada pela tv. Deu-se o pontapé inicial e a zoeira, que mais parece um mega vespeiro em ação, toma conta de todos os microfones espalhados pelo estádio. Até agora o único momento em que nossos ouvidos tiveram trégua foi durante alguns poucos momentos no jogo de hoje a tarde entre França e México em que foi possível ouvir vaias e vibrações. Até quando sustentarão essa cena?

17.06.2010 - 23h:15

Tiago escreveu:

BACANA, CULTURA e +

Muito eficiente essas declarações, definem bem o aparato e nos dá uma idéia da origem e nos revela a importancia desse instrumenta para essa cultura.......
Gosto muito dessas matérias....

18.06.2010 - 02h:53

Marilena Aymar Ortiz escreveu:

Apoio Sepp Blatter

Por mais sensíveis que sejam meus ouvidos acostumados à música clássica...por mais que de certa forma incomodo-me com os tais 135 decibéis!...Deixo aqui meu apoio ao Presidente da FIFA, que liberou o uso das vuvuzelas. Os africanos são tão alegres e comunicativos que me encantam! Mesmo com vuvuzelas estridentes. Parabéns ao Presidente que não frustrou esse povo maravilhoso da África, da mama África, que merece todo respeito!

21.06.2010 - 00h:15

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