Hiperconectado - com Ricardo Anderáos

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05.10.2011

Minha viagem ao universo de Steve Jobs

Minha peregrinação ao universo mítico de Steve Jobs aconteceu em janeiro de 2005, quando estive em San Francisco para cobrir minha primeira e única Mac World. Isso aconteceu há apenas seis anos, mas parece que foi há muito mais tempo. Revisitando essas memórias, me dei conta de que viajar ao exterior, naquela época, era uma experiência profundamente  diferente do que acontece hoje em dia. E isso, em grande parte, se deve ao legado que Jobs nos deixou.

O máximo em portabilidade que a tecnologia oferecia aos viajantes então era um GPS no painel do carro alugado. É verdade que quem carregasse um desconfortável laptop poderia procurar hospedagem ou os horários de vôos no quarto do hotel ou nas salas vips dos aeroportos. Mas isso não chega aos pés das inúmeras facilidades que os aplicativos para smartphones oferecem aos viajantes hoje em dia, ou do mundo de possibilidades que se abrem para quem pode levar um tablet na bagagem.

Naquele ano,  entretanto, ninguém sabia ao certo se Jobs daria as caras no evento. Poucos meses antes ele havia anunciado que estava com câncer no pâncreas. Depois, sofreu uma delicada cirurgia. Havia muita especulação sobre seu real estado de saúde.

Exatamente por isso, quando ele surgiu no palco do Moscone Center, vestindo o tradicional jeans e camiseta preta de gola role, ainda que bastante abatido, a platéia quase veio abaixo. Nunca fui um macmaníaco. Mas ver aquele mito da tecnologia dar mais uma de suas inúmeras voltas por cima, e de quebra presenciar o lançamento do então surpreendente iPod shuffle, foi emocionante. O Mac Mini foi o outro destaque daquele ano.

Acabada a apresentação, fui passear pela feira. E quando dava uns passos para trás tentando fotografar os lançamentos no estande da Apple, quase dei um encontrão no Steve Jobs em pessoa. Me desculpei, sem graça, diante do sorriso que ele me lançou. A oportunidade de uma entrevista escapava pelo avanço dos seguranças. Tudo que consegui balbuciar foi um “o Sr. parece bastante contente, não Mr. Jobs?”. Já se afastando, ele me brindou com um “Claro, estou de volta, não estou? E esse shuffle vai popularizar de vez o iPod”. Se o iPhone tivese sido lançado dois anos antes, talvez esse filminho não estivesse apenas aqui, dentro da minha memória.

Jobs nos deu novas formas de experimentar  nossas viagens. E ainda que a Apple não tenha sido  a única empresa a desenvolver tecnologias móveis com impacto na indústria do turismo, foi a incrível facilidade de uso do iPhone que massificou de fato a possibilidade de estarmos permanentemente conectados _o que, durante uma viagem, economiza tempo precioso e permite descobertas até então impossíveis.

Uma das obras inacabadas de Jobs, entretanto, pode nos levar ainda mais longe e ajudar quem viaja a viver uma experiência ainda mais completa. Há pouco mais de um ano o site www.patentlyapple.com revelou com exclusividade detalhes do iTravel. Criado como uma ferramenta nativa no sistema dos iPhones e iPads, foi concebido para dar aos seus usuários a possibilidade de fazer reservas aéreas, de hotéis e alugar carros, além de agilizar checkins e checkouts e manter permanentemente atualizadas informações vitais sobre os locais que visitamos, da taxa de câmbio à previsão do tempo. Até serviço de quarto poderia ser solicitado através do celular com ele. A lista de utilidades do iTravel é imensa.

Quando ele vai ser lançado? Só Deus e Steve Jobs sabem. Essa questão se insere em uma pergunta bem maior, que tem resposta avaliada em mais de US$ 300 bilhões.  Todos sabemos que a Apple será menos inovadora sem Jobs. Mas será que ela continuará sendo relevante?

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