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Mamãe perigosa

Ricardo Anderáos

Gina Brunelas é uma típica mãe de família norte-americana. Com 43 anos de idade, vive com seu marido e três filhos pequenos em Wellington, na Flórida. Ela trabalha fazendo perícias técnicas para a polícia local.

Tudo normal, aparentemente. O que ninguém sabia era que quando seu marido não estava em casa, Gina sentava ao computador da família, entrava na internet e vasculhava salas de bate-papo e comunidades online à procura de garotos menores de idade.

Seu alvo predileto eram rapazes das redondezas. Quanto mais perto morassem, melhor. Assim que identificava um alvo em potencial, trocavar endereços de e-mail e incluía o novo amigo na lista do seu programa de mensagens instantâneas. O messenger era o instrumento que ela usava para começar a falar abertamente de sexo com seus amiguinhos.

Daí para trocar números de telefone celular era um pulo. E assim ficava mais fácil para Gina alcançar seu verdadeiro objetivo: convidar os rapazes para visitarem sua casa. Na ausência do marido e depois que ela colocava as crianças na cama, é claro.

“O general vai ficar fora de casa na primeira semana de agosto… Você está interessado em vir aqui?”, escreveu ela no messenger para um garoto de 17 anos que mora em Palm Beach. Nas conversas com os amiguinhos, ela sempre se referia ao coitado do seu marido como “o general”.

“E o que tem aí para mim?”, perguntou o adolescente. “Diversão, diversão e mais diversão”, escreveu ela. “Sexo, sexo e mais sexo!”, completou o garoto. E quando ele perguntou se eles não acordariam as crianças, ela disse que não. “Já fiz isso antes. Não teremos nenhum problema.”

Não está claro se o pai flagrou o filho, ou se esse garoto resolveu abrir o jogo com a família. A primeira hipótese me parece mais plausível. O fato é que o pai do rapaz procurou o xerife e denunciou Gina. A conversa transcrita acima foi encontrada por um investigador da polícia no computador do garoto.

O rapaz foi levado à delegacia no dia 24 de julho. Lá, contou detalhes sobre suas sessões de sexo virtual e conversas com Gina pelo celular. Os policiais pediram que ele telefonasse para ela e gravaram o diálogo a seguir.

“Você estava falando sério sobre tudo aquilo? Quer dizer, fazer todas aquelas coisas que a gente escreve no computador?”, perguntou o garoto. “Claro! Por que, você não estava?”, disse ela. Gina disse para o rapaz que eles precisavam ter cuidado, porque ela trabalhava para a polícia. O rapaz perguntou se estava claro que ele era menor. Ela disse que sim.

No dia seguinte os investigadores descobriram um vizinho de Gina, com 16 anos de idade, que mantinha o mesmo tipo de relacionamento com ela. O rapaz compareceu à delegacia com a mãe e relatou uma história semelhante.

Há uma semana, Gina foi detida pela polícia. O caso ganhou destaque na TV local. Sua fiança foi fixada em US$ 25 mil. Depois de depositar esse valor, ela foi libertada. Mas está proibida de se aproximar dos dois garotos e também de acessar a internet.

Os programas de mensagens instantâneas são a principal atividade dos adolescentes diante do computador. É o que dizem as pesquisas e o que vejo acontecer em casa, com minha filha de 12 anos. Tenho um software que impede meus filhos de acessarem páginas com pornografia. Mas esses programas não controlam o Messenger e seus assemelhados.

Como evitar que nossos filhos sejam assediados? Cortar a internet não é solução. Neste século, seria o mesmo que criá-los dentro de uma bolha. Tudo conspira para dificultar o diálogo entre pais e filhos. Mas essa me parece a única saída. Ontem, hoje e sempre.

Originalmente publicado na coluna semanal do caderno Link do jornal O Estado de S. Paulo