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O primeiro alarme foi disparado pelo Google há 15 dias, com a denúncia do ataque a seus servidores para violar correspondência de dissidentes chineses, supostamente coordenado pelo governo de Pequim. O segundo aviso foi dado semana passada pelo chefe da agência de telecomunicações da ONU, que pediu um acordo urgente para evitar atos deliberados de guerra cibernética por parte dos estados-membros da organização.
Finalmente ontem, ao divulgar as novas prioridades de defesa do Pentágono e o orçamento militar do governo Obama, o Secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, revelou que bilhões de dólares deixarão de ser investidos no desenvolvimento de armamentos “tradicionais” e realocados para que os militares norte-americanos possam “operar eficientemente no ciberespaço”. Os sinais são claros: a guerra cibernética já começou, e China e EUA são seus protagonistas. E o Brasil não pode ser considerado um lugar pacífico nesse campo de batalha virtual. Muito ao contrário, como suspeitam alguns especialistas diante de incidentes como o apagão de novembro e as constantes panes no serviço Speedy, da Telefônica.
Nós vivemos em um dos países mais vulneráveis a ataques de guerra cibernética. É o que revela o estudo “No Fogo Cruzado: As Infra-Estruturas Essenciais na Era da Guerra Cibernética”, produzido pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, em inglês) para o fabricante de antivírus McAfee. Os pesquisadores entrevistaram 600 executivos de segurança e tecnologia da informação em empresas de finanças, energia, telecomunicações, transportes e serviços públicos das 14 maiores economias do planeta. A conclusão é que o Brasil é um dos países que menos atualiza programas antivírus, e o que mais sofre ataques de hackers do tipo conhecido como negação de serviço, em que invasores sobrecarregam um site de requisições de acesso para tirá-lo do ar _DDoS, na sigla em inglês.
Cerca de 65% dos brasileiros entrevistados disseram que as leis do país não são adequadas para combater crimes virtuais. Igual proporção acredita que, nos próximos anos, o Brasil será alvo de ataque cibernético que afetará pesadamente parte de seus serviços essenciais. Ainda segundo o relatório, “em novembro de 2009 reportagens na mídia dos EUA afirmaram que duas interrupções no fornecimento de energia no Brasil, em 2005 e 2007, foram causadas por hackers, provavelmente como parte de um esquema de extorsão”. Coincidência ou não, poucos dias depois dessa publicação 18 estados brasileiros ficaram sem energia. Na época, uma das hipóteses levantadas para explicar o incidente foi um ataque de hackers, que teria desligado a usina de Itaipu.
Em abril de 2009 a Telefonica também levantou a hipótese de que uma invasão deliberada de seus sistemas teria causado os graves problemas que o serviço de internet rápida Speedy vinha apresentando no Brasil. A pesquisa do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais revelou que quase 80% dos executivos de TI brasileiros sofreram ataques recorrentes de negação de serviço em suas empresas e órgãos públicos. Foi o índice mais elevado em todo o mundo.
Uma das conclusões mais importantes do estudo revela quem são os protagonistas dessa nova “Guerra Fria”, já em curso: segundo 59% dos entrevistados, os autores dos ataques a empresas e serviços são governos estrangeiros. Os serviços de inteligência dos Estados Unidos, com 36%, e da China, com 33% , foram apontados como as principais ameaças.
08.03.2012 - 09h:58
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